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Nome: João Luís Torres Alves Moura Castro
Nacionalidade: Portuguesa
Nascimento1974-09-23 (36 anos)
Naturalidade: Porto
Posição: Fixo / Ala
Altura: 1,75 m
Peso: 76 kg
Número: 4
 
- Fale-nos um pouco do seu trajecto enquanto futsalista e como aconteceu a sua vinda para o Instituto?

Esta modalidade surgiu para mim por mero acaso. Nunca joguei Futebol de 11 e comecei a jogar Futsal com 20 anos, já na minha Faculdade, no ISMAI. A partir daí foi o início de uma aventura e nunca pensei chegar até aqui. Passei pelo Boavista, Sete Bicas, Joarte, Famalicense e por fim, surgiu o convite do Instituto D. João V. Foi a oportunidade de poder exercer a minha profissão, ao mesmo tempo que continuava a praticar a modalidade ao mais alto nível. Na altura tinha terminado o meu curso e era muito complicado ser colocado numa escola na área do Porto. Foi uma aposta totalmente ganha e sinto-me muito feliz por a ter tomado.
 
- Está no clube do Louriçal há várias épocas. O que significa para si vestir a camisola do Instituto? Pode-se dizer que a sua relação com a instituição já é mais do que profissional?
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Neste momento o que posso dizer é que o clube Instituto D. João V e a Vila do Louriçal são tudo para mim. Os primeiros tempos foram algo estranhos, já que nunca tinha estado tanto tempo longe da minha família, dos amigos e da minha cidade, mas com o passar do tempo fui-me adaptando, até com uma certa facilidade e agora posso dizer que estou completamente moldado a esta terra.
 
- O Castro tem feito épocas de grande nível e foi sempre um jogador muito influente no Instituto. Constitui para si algum sentimento de mágoa o facto de nunca ter sido chamado a representar a selecção nacional?
 
A resposta politicamente correcta é esta: se nunca fui chamado, foi porque o seleccionador achou que eu não tinha talento para tal. Mas houve uma altura que era chamado frequentemente à Selecção Universitária e sentia que contavam comigo. As pessoas que lideravam esta Selecção eram as mesmas da Selecção A. A partir de certa altura, nunca mais fui chamado, nunca o percebi, talvez por influências exteriores, não sei.
Muitos que frequentavam esta selecção, posteriormente, passaram a ser chamados à selecção A.
Também houve tempos em que só eram chamados jogadores que actuavam em equipas profissionais.
O facto de o seleccionador ser o mesmo durante mais de uma década, também não facilitou a chamada de muitos jogadores.
Uma possível convocatória tinha sido a cereja no topo do bolo, até porque foram dadas oportunidades a muitos jogadores, mesmo de divisões inferiores.
Mas compreendo perfeitamente que as opções nunca tenham recaído sobre mim.
 
- Apesar da idade, consegue apresentar uma grande qualidade de jogo todos os fins-de-semana. Qual é o truque?
 
Os truques são, sobretudo, estarmos bem preparados fisicamente, bem como, psicologicamente. O aspecto motivacional consegue colmatar, muitas vezes, alguma falta de frescura física que possa existir. Quando a motivação começa a desaparecer, aí algo se passa e então é altura de parar.
As pessoas reparam quando um jogador ultrapassa os 30 anos, eu considero que nesse momento, esse jogador se encontra na plenitude das suas faculdades. Claro que com o passar do tempo, temos a noção que vamos perdendo capacidades, mas isso é a lei da vida.
Nunca fui um jogador de me esconder dentro do campo para jogar mais tempo. Sei que para poder ser opção tenho de dar o mesmo, ou até mais, que os mais novos e sinto até um certo orgulho por continuarem a confiar em mim, numa equipa com a qualidade do Instituto D. João V, apesar da minha idade.
 
- O Nuno Dias foi seu colega de equipa e actualmente é seu treinador. Ao Nuno é-lhe reconhecida uma enorme competência mas qual a sua melhor qualidade como treinador? Qual a sua relação com atletas que lidera mas que no passado foram colegas de equipa como acontece no seu caso?
 
O treinador Nuno Dias define e defende os seus princípios até à exaustão, aspectos que considero como essenciais na manobra de uma equipa.
Depois demonstra enorme competência na forma como prepara os jogos durante a semana. Através de um trabalho de pesquisa das equipas adversárias, consegue identificar as lacunas e as qualidades existentes nestas mesmas equipas. Prepara-nos para que no dia do jogo todos saibam o que têm de fazer para que todas as dificuldades sejam ultrapassadas e isso hoje em dia faz toda a diferença.
Quanto ao relacionamento pessoal existente, considero-o normal. Existe um respeito mútuo e até uma amizade fora do campo. No fundo é cumprirmos com o nosso papel, sabermos o nosso lugar e respeitar todas as decisões.
 
- Por norma ao longo dos anos Instituto apresenta a melhor classificação das equipas não profissionais. Sem as mesmas armas e capacidade financeira de outros clubes qual é o segredo da equipa?
 
Ao longo destes anos, o Instituto D. João V, sempre possuiu treinadores com grande conhecimento da modalidade. Através de um trabalho diário de qualidade desenvolvido e com um grande empenho e dedicação de todos, tem sido possível alcançar bons resultados. Não nos podemos esquecer que a equipa técnica e os seus jogadores trabalham durante o dia e treinam à noite.
Existem várias equipas que possuem, maioritariamente, jogadores no seu plantel que não exercem nenhuma profissão no seu dia-a-dia e que se intitulam “não profissionais”, mas que lutam pelos mesmos lugares do Instituto. Isso faz muita diferença, já que a nossa disponibilidade e capacidade de concentração no final de um dia de trabalho, por vezes, não é a desejada quando nos apresentamos no treino. Mas depois o plantel é constituído por pessoas com muita humildade, pessoas da terra, com muitos anos de Instituto D. João V e que sabem sempre acolher os novos atletas que todos os anos se juntam a nós. Isso nunca vou deixar de enaltecer e considero mesmo o grande segredo da equipa.
 
- Espera acabar a sua carreira no Instituto ou pensa abraçar outro projecto? Quer como treinador quer como jogador.
 
O meu trajecto como jogador do Instituto está praticamente no fim. Não coloco totalmente de parte jogar em outro clube, até porque toda a vida estive ligado ao desporto e não pretendo deixar de o praticar de um momento para o outro.
Neste momento abracei um novo projecto, como treinador da equipa de Infantis do Instituto D. João V, o qual estou a gostar muito. Vamos ver o que o futuro nos reserva.
- Como analisa este “fenómeno” André-Pimpolho-Ciro-Tukinha? Miúdos que, apesar de tenra idade, apresentam uma qualidade de jogo e uma maturidade muito grande. São sucessores à altura da geração Pascal-Nino-Castro-Ruizinho?
 
Esta nova geração dá todas as garantias ao Instituto D. João V, foi uma aposta excelente realizada no ano passado. Apesar das idades que apresentam, esta é uma geração para o presente e denota uma qualidade de jogo fora do comum.
O André é um dos guarda-redes da Selecção Nacional; o Ciro defende como ninguém e tem uma grande participação na organização de jogo; o Tukinha é um desequilibrador nato e possui a capacidade de resolver um jogo quando menos se espera; o Pimpolho demonstra uma grande capacidade de finalização. Além de todos estes factores, possuem um que considero essencial, todos têm grande personalidade, não se escondem do jogo e não têm problemas de o assumir. Não nos podemos esquecer do Miguel, do Mourão, jogadores com muitos anos de casa, mas ainda jovens, e também do Telmo que se encontra pela primeira vez entre nós e que possui qualidade e grande vontade para assumir um desafio destes.
Por todos estes motivos, considero que esta nova geração nos vai trazer muitas alegrias. Auguro um grande futuro a todos eles e espero que se mantenham no Instituto por muitos e bons anos.
 
- Esta entrevista ocorreu depois do jogo em que o Instituto perdeu em casa com o Sporting por 2-6. De qualquer forma o Instituto já fez grandes resultados com os “grandes”. Acha que é possível, na actual conjuntura, o Instituto ambicionar algo mais do que ir às meias-finais dos playoffs? O que tem faltado para atingir uma final? Qualidade? Sorte? Experiência? Arbitragens isentas?
 
Uma questão pertinente. Relativamente ao jogo passado, o Instituto perdeu em casa com o Sporting por falta de eficácia e de concentração em momentos preponderantes, e por alguns erros de arbitragem. Em grande parte do jogo fomos completamente superiores, só que há pormenores que decidem jogos e nesse aspecto continuamos a falhar.
Quanto às arbitragens, é muito difícil ao Instituto jogar de igual para igual com os chamados “grandes”. Torna-se complicado de assistir a certas situações, na imparcialidade dos critérios atribuídos que fazem questão de manter. É incrível como certos jogadores falam para os árbitros e passam completamente impunes, é incrível como se deixam atemorizar pelo facto de serem pressionados pelas equipas técnicas e os seus directores, considerando-se sempre prejudicados. O Instituto nesse aspecto tem muito que crescer, o peso da camisola torna-se decisivo em certos momentos e nós não podemos fazer nada para contrariar esse aspecto. Às vezes queremos protestar e fazer valer os nossos direitos, mas saímos sempre prejudicados.
O facto de não termos apoiantes assíduos nos nossos jogos, também não nos ajuda, sendo uma situação difícil de entender. Tantos anos passados, tantos resultados alcançados, numa Vila tão pequena, e ainda não conseguimos reunir pessoas que nos empurrem para as vitórias. Se esta situação fosse melhorada, aí sim, o Instituto ficava mais forte e encurtava distâncias para as chamadas equipas “grandes”.
Depois dos Play Offs serem alcançados, considero que tudo seja possível. Podemos ganhar em qualquer lado e acredito que os nossos adversários também sabem que podem perder com o Instituto.
O facto de na Taça de Portugal, a Federação ter optado por as meias-finais serem disputadas a duas mãos, só veio prejudicar as equipas chamadas mais “pequenas”. Se já é difícil ganhar um jogo, então imaginem dois.
- A primeira divisão está num nível assim tão diferente das segundas e terceiras divisões que justifique o facto de jogadores como Mica e Calixto apresentarem grandes níveis exibicionais na terceira e não terem conseguido vingar na primeira? O nível de exigência e qualidade de jogo é assim tão superior?
 
O nível da primeira divisão ainda se encontra muito longe do nível das restantes, todas as equipas têm jogadores de qualidade e os confrontos são sempre equilibrados. Por aquilo que conheço, o nível do treino também é bastante superior, assim como, as próprias dinâmicas e intensidades de jogo.
O Calixto e o Mica são jogadores com enorme talento e não foi por falta de capacidade que não vingaram na nossa equipa. Talvez por o plantel ser bastante homogéneo e de possuir grande qualidade. Não sei propriamente o motivo, mas sei que são dois jovens ambiciosos e que ainda vão dar muito a esta modalidade. Não nos podemos esquecer que, em vez de optarem por brilharem e serem os melhores em divisões secundárias, procuraram evoluir junto de uma equipa onde a exigência é bastante elevada.
 
- O Castro é também professor de Educação Física e lida diariamente com crianças e jovens. Aos que o admiram como jogador e que ambicionam jogar na primeira divisão nacional, que conselhos gostaria de deixar?
 
Procuro acompanhar, mais de perto, os jovens que praticam a modalidade nos escalões de formação do Instituto e que, por ventura, são meus alunos. Tento fazer com que se apliquem e que nunca desistam, mesmo sabendo que nem todos vão conseguir chegar à equipa principal.
Existem muitos atletas da nossa formação que já se encontram a treinar entre nós, permitindo que a sua evolução seja mais rápida.
 
- Quem é o João Castro fora da quadra e fora das salas de aulas? Como gosta de ocupar o seu tempo livre? Quais os seus hobbies? Consta que é craque no PES…
 
Bem, quando existe algum tempo disponível procuro deslocar-me para visitar a família. Quando me encontro pelo Louriçal, gosto muito de receber e de partilhar a mesa lá de casa com os meus amigos, assim como, de ouvir uma boa música e ver um bom filme. Quanto ao PES, considero que também seja trabalho, já que tenho de estar sempre a dar explicações, ora ao Pascal, ora ao Pimpolho, e por esse motivo não considero que seja um hobbie.
 
- Fazendo uma retrospectiva dos muitos anos em que pratica futsal, qual o feito mais significativo para si? Recorda alguma história engraçada que possa partilhar?
 
Infelizmente não tenho nenhum título oficial conquistado. Ainda tenho presente os jogos do Play Off do ano passado com o Freixieiro, foram momentos de grande alegria que muito ambicionava-mos. Passamos por um momento histórico que nunca tinha sido alcançado, a partir daí sentimos que tudo era possível. Mas também sinto alguma mágoa por em momentos decisivos da época passada, como as meias-finais da Taça de Portugal com o Belenenses e nas meias-finais do Campeonato Nacional com o Sporting, a equipa se encontrar desfalcada, o que nos prejudicou a alcançar algo mais, o que era possível.
 
- Qual a sua opinião sobre o futsal distrital? Costuma acompanhar o futsal no distrito?
Acha que é possível a equipas como o Amarense, Leiria, Burinhosa, Externato, Caldas e outras ambicionarem fazer companhia ao Instituto na primeira divisão nacional?
 
Sinceramente, não costumo acompanhar, não me desloco aos pavilhões porque o tempo disponível não o permite. Mas procuro saber como antigos colegas se estão a portar por esses clubes.
Quanto à segunda parte da questão, depende da conjuntura, ou seja, depende do nível de apetrechamento, de investimento que um desses clubes possa usufruir e depende do nível de competitividade existente nessa mesma divisão.
Conheço algumas equipas pelo facto de treinarem, por vezes, connosco. Ainda recentemente treinamos com as equipas do Amarense e da Burinhosa e posso afirmar que se nota a existência de um trabalho de qualidade e de uma boa dinâmica nos processos de jogo.
 
- Qual a sua opinião sobre o site Infutsal?
 
Sou um leitor habitual de todos os orgãos de comunicação social que procuram estar ligados ao Futsal. Considero que o site Infutsal se encontra bastante actualizado, dando grande relevo às equipas do distrito de Leiria.
Os meus parabéns por toda a vossa dedicação e criatividade.
Desde já agradeço a oportunidade de realizar esta entrevista desejando um grande ano 2011 para todos.
 
Gostos Pessoais: ouvir música e estar na companhia da minha mulher.
Ritual antes de entrar em campo: Concentrar-me nas tarefas a desempenhar.
Filme preferido: Thrillers.
Livro preferido: Jogo do Anjo – Carlos Ruiz Zafon.
Banda preferida: Dave Matthews Band, Sublime e Incubus.
Pratos favoritos: Cabrito assado, bacalhau à lagareiro, polvo à lagareiro e arroz de cabidela.
Bebida favorita: Água e um bom vinho tinto.
Viagem de sonho: Cuba (já realizada).
Maior defeito: Disseram-me que sou teimoso.
Maior virtude: Amigo do meu amigo.

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