- Crónica por Pedro Henriques (Treinador do Nagoya Oceans)
A constante evolução do Futsal, tanto da parte técnica, como táctica, fez com que se tornasse necessária a especialização da posição de guarda-redes. Esta especificação ao nível do treino tornou-se necessária pelo facto do Futsal ter características específicas que requer posturas e movimentos de execução técnica diferentes de outros desportos que utilizam o guarda-redes.
Ainda dentro deste contexto de evolução do Futsal, onde os jogadores de campo necessitam cada vez mais de serem polivalentes, executando todas as funções ao nível técnico-táctico, o guarda-redes passa a ser um jogador com uma participação muito importante no jogo, pois é ele o responsável directo pelas últimas acções defensivas e pelas primeiras acções ofensivas da sua equipa.
Por toda esta importância que o guarda-redes tem na organização da sua equipa tornou-se necessário que os exercícios de aprendizagem e treino merecessem uma atenção especial por parte dos treinadores e se desenvolvessem trabalhos específicos para esta posição, e é com esta intenção que pretendo desenvolver este trabalho para auxiliar no planeamento e execução de actividades para o treino de guarda-redes, pois com certeza é um jogador muito importante na equipa, onde além de ter que jogar muito bem com as mãos, hoje para um bom guarda-redes é fundamental saber jogar com os pés, tanto no aspecto defensivo, quanto ofensivo.
Ser treinador de Guarda-Redes é uma função que constitui um permanente desafio que necessita
um empenho pessoal muito grande. No exercício da função do treinador, surge a oportunidade de contribuir na formação do carácter das crianças e dos jovens. Dessa forma, o treinador pode deixar marcar duradouras e significativas nos guarda-redes em formação.
Uma ideia que vigorou durante muitos anos e, em casos específicos, resiste até aos dias de hoje, é a de que, para ser treinador de formação, o profissional deveria ter sido, ou ainda ser, jogador profissional. Mas será que o jogador, por melhor que tenha sido na sua carreira desportiva, estará preparado para ser um grande treinador? Nenhum profissional sem conhecimentos está apto a desenvolver um trabalho de iniciação.
Para ser um bom treinador, deve possuir certas características indispensáveis, que fazem a diferença no relacionamento com os jogadores. O treinador deve ser uma pessoa simpática, compreensiva, carismática, educada, respeitadora, responsável, de boa comunicação, que saiba ouvir as pessoas. Deverá ser um líder que tenha a confiança dos jogadores.
Você pode estar-se perguntando: Porquê tanta qualidade para um treinador? É que, para muitos jovens jogadores, o treinador serve de exemplo de conduta, poderá ser considerado um grande amigo, e deverá agir como um agente socializador, capaz de formar opiniões e influenciar o futuro dos seus jogadores.
O treinador desempenha também uma função muito importante no desenvolvimento do jovem jogador, do ponto de vista físico, psicológico, emocional e social.
Ter sucesso no treino de jovens jogadores é bem mais do que ajudar o jogador a ganhar. Esta componente não deixa de ser importante, mas os treinadores têm de ajudar os jovens com que trabalhem a gostar de aprender novos exercícios da modalidade, ensiná-los a lidar com os altos e baixos da competição e a desenvolver a auto-estima e auto-confiança.
O treinador sabe que irá ter jogadores ao seu dispor com pensamentos diferentes, a sua responsabilidade será muito grande em procurar dar uma harmonia colectiva. Deve-se conhecer todos os jogadores e pessoas ligadas á equipa, saber os defeitos e virtudes de todos, para que possa saber, no momento de uma intervenção, a opção mais correcta.
Perfil do treinador:
São necessárias algumas qualidades para exercer o cargo de treinador. É importante salientar que todas estas qualidades podem ser aperfeiçoadas.
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