
Modelo de Jogo
Hoje em dia, creio que não haja uma equipa de futsal que não planifique a sua época desportiva tendo como ponto de partida um Modelo de Jogo. Segundo a minha maneira de ver, é o mais correcto, e é aquilo que defendo. Não tenham medo de alterar os preconceitos antigos respeitantes a periodizações convencionais. Sejam inovadores e acompanhem a evolução, sem medo de fazer essa mudança …
Se “planificar é prever com antecedência os factos, as acções... de modo a que a sua realização se efectue de forma sistemática e racional de acordo com as necessidades e possibilidades reais, com aproveitamento pleno dos recursos disponíveis no momento e previsíveis no futuro”… (Mestre – 1995), então o Modelo de Jogo vai ao encontro do que define uma planificação, seja ele muito bem delineado, concreto e definido, ou não seja mais do que algumas ideias na cabeça do treinador. Seja como for, todas as equipas devem treinar-se e jogar a partir de uma organização pré-definida.
Se considerarmos que o Modelo de Jogo se pode caracterizar como sendo a definição prévia da organização ofensiva e defensiva, e transições, que se pretende por em prática ao longo da época desportiva, resta ao treinador seleccionar a sua forma de jogar, tendo em conta estes momentos de jogo. Quando temos a bola; quando não temos a bola; quando transitamos de um momento para o outro (sup. e inf. numéricas).
A definição de um Modelo de Jogo permite caracterizar a equipa na sua forma de jogar, se ofensivamente utiliza mais um sistema em 3:1, 4:0 ou 2:2 ou alternância de vários; se o pivô está no meio ou na ala; se defensivamente é mais ou menos pressionante, e se aposta nos contra-ataques e ataques rápidos ou se prefere ter posse de bola e jogar de forma mais organizada; ou se defende na linha 1, 2 ou… outra qualquer.
Um Modelo de Jogo bem definido prevê o maior número possível de situações que podem ocorrer num jogo. Assim, perante determinado acontecimento no jogo, o jogador terá maior lucidez na sua tomada de decisão, pois se tal situação estiver prevista, o jogador saberá como reagir e não terá de improvisar. Por conseguinte, quanto menos um jogador tiver de improvisar, ou seja, quanto melhor souber o que fazer, melhor será a sua tomada de decisão para determinado tipo de situação, e menor será a probabilidade desse mesmo jogador errar em jogo. Ou seja, os exercícios de treino devem privilegiar as tomadas de decisão.
Mas os erros acontecem, e também aqui o Modelo de Jogo torna-se importante, na medida em que ajuda a identificar o erro. Se por exemplo no Modelo de Jogo de determinada equipa está definido que se defende os cantos com um posicionamento inicial em “Y”, e que o jogador adversário apareceu sozinho para marcar golo na zona do último defensor, então provavelmente esse defensor não estava no seu posicionamento correcto, segundo o Modelo de Jogo (ou poderá ter sido bloqueado para não chegar a tempo). Assim, facilmente se identifica a origem do erro (ou a qualidade das bolas de estratégia do adversário) que permitiu o golo, tornando-se mais fácil corrigir o que aconteceu de errado, prevenindo que se repita o mesmo erro no futuro.
Para além do treinador ter a responsabilidade de escolher a sua forma de jogar, tendo em conta os tais momentos de jogo e também tendo em conta as qualidades dos seus jogadores, definindo assim o seu Modelo de Jogo, é também da responsabilidade do treinador saber expor e transmitir aos jogadores esse mesmo Modelo de Jogo. Seja de forma verbal ou através da demonstração em treino, o ideal será existir igualmente todo esse conjunto de ideias - Modelo de Jogo - registadas, ou em papel, ou em suporte informático, para que nunca haja sequer a mera hipótese de cair no erro de transmitir uma informação que seja interpretada de maneira diferente entre jogadores, ou até, de maneira diferente pelo mesmo jogador em momentos distintos.
No caso de haver esse registo - o que seria o ideal - porque não fazê-lo chegar a todos os jogadores logo no início da época? Isso ajudará os jogadores a inteirarem-se do tipo de trabalho que o treinador pretende por em prática, assimilando mais rapidamente os conteúdos a desenvolver em treino e a aplicar em jogo. Psicologicamente também é uma boa forma de imprimir ainda mais seriedade no trabalho que se pretende levar acabo nessa época, e consolida a imagem de líder, do treinador.
Para finalizar, deixo um quadro com alguns aspectos que considero mais importantes quer da organização ofensiva, quer da organização defensiva, a partir dos quais os treinadores poderão basear-se para definir o seu Modelo de Jogo.
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Organização Ofensiva
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Organização Defensiva
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Princípios Básicos Ofensivos (ideias-chave que visam o aumento da eficácia ofensiva).
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Princípios Básicos Defensivos (ideias-chave que visam o aumento da eficácia defensiva).
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Circulações de bola e padrões de movimento para posse de bola.
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Tipos de pressão.
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Esquemas para finalização.
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Trocas defensivas ou defesa HXH
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Bolas paradas:
- saídas de pressão;
- foras;
- cantos;
- livres;
- bolas de saída.
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Posicionamentos iniciais em Bolas paradas adversárias.
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Ataque com guarda-redes avançado (5x4);
Ataque após expulsão de jogador da equipa adversária (4x3).
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Defesa com guarda-redes avançado (5x4) da equipa adversária;
Defesa após expulsão de jogador da própria equipa (4x3).
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Transições
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Superioridades numéricas (3x2, 2x1, 1xgr, etc.) ofensivas.
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Superioridades numéricas (3x2, 2x1, 1xgr, etc.) defensivas.
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