No sábado com o NS Leiria, o resultado não foi o melhor já que era o primeiro contra o último classificado. Concorda?

Claro.

Já na próxima jornada, haverá jogo muito importante com outro candidato à subida de divisão. Como está a moral do balneário da sua equipa?

O moral está bom. Todos queremos o mesmo que é ganhar cada jogo que disputamos. Isso, por vezes leva-nos a ter opiniões e formas de pensar diferentes, mas o mais importante é que exista respeito pelo papel de cada um e espaço para que cada um exprima a sua opinião no momento certo. Quem não percebe esta dinâmica de grupo, mais tarde ou mais cedo auto-exclui-se. Isso já aconteceu esta época, mas só serviu para reforçar o espírito de grupo dos que ficaram e que não abandonaram o barco a meio.

Jogo da Taça de Portugal. O Nogueiró que calhou em sorte é um bom adversário ou escolhia outro?

Infelizmente ninguém escolhe os adversários da taça, por isso este é o que tem de ser. Temos é que encarar o jogo como se fosse contra o Benfica. Se o fizermos, temos possibilidades de passar à próxima ronda.

 


Sabendo que existe ainda um grande percurso a percorrer até final do campeonato, sente que a equipa está preparada para um futuro próximo, tanto a nível táctico como psicológico?

Ao nível táctico sinto que estamos cada vez melhores e mais consistentes. O plano psicológico passa ganhar mais maturidade. A experiência acumulada durante os jogos que vamos realizando irá certamente dar uma ajuda na evolução individual e colectiva deste grupo.

Alguma vez pensou que apesar da qualidade dos jogadores que tem e sendo uma das equipas mais jovens do campeonato poderia realizar a excelente época que estão a fazer?

A equipa é muito jovem e penso que ninguém esperaria que estivéssemos em 3º lugar a 1 ponto dos dois primeiros nesta altura. É lógico que perdemos pontos que não estávamos à espera, sobretudo neste último jogo, mas isso tem a ver com a nossa falta de experiência. Ninguém se pode esquecer que há 3 anos estávamos a disputar a 2ª divisão distrital. A minha grande luta é fazer perceber a um grupo tão jovem e inexperiente que não somos os melhores do mundo quando ganhamos dois ou três jogos seguidos, mas que também não passamos a ser os piores porque perdemos ou empatamos com equipas do fundo da tabela. O que pretendo neste momento é que a equipa mantenha um nível de maturidade que nos permita jogar todos os jogos com a consciência que nos nacionais não há equipas fáceis e, por isso, é preciso dar tudo em campo em todos os jogos até ao último segundo.

Tomando como objectivo o rendimento global da equipa, quais os três capítulos fundamentais e qual a percentagem que atribui?

Não há percentagens! O rendimento de uma equipa passa pelo trabalho desenvolvido nos treinos e nos jogos. Esse trabalho integra questões físicas, técnicas, tácticas e psicológicas, mas todas estão relacionadas e interligadas entre si. Não tem sentido trabalhar situações tácticas se os jogadores não tiverem um nível técnico e físico que lhes permita porem-nas em prática. E tudo isto não leva a nada se os jogadores não acreditarem no que estão a fazer e não confiarem em quem os comanda. Isto não é fácil e é por isso que é difícil ser treinador. Nem sempre é linear conduzir um grupo, sabendo que devemos ter os jogadores do nosso lado mas, ao mesmo tempo sendo exigentes ao ponto de lhes apontarmos os defeitos para eles os poderem corrigir. A forma como o fazemos nem sempre é compreendida por todos, porque todos dão o seu melhor e, quando erram não o fazem de propósito ou mesmo de forma consciente. No entanto se não corrigirmos as situações nem os atletas nem o grupo evoluem ao máximo das suas potencialidades. Mas este é um processo complicado em que o treinador também erra e se não tiver a humildade de o reconhecer para também ele poder evoluir, vai acabar por perder o grupo. Mas, repito, é difícil ser treinador…

 

A sua equipa está preparada para a pressão de terem de subir sem serem os favoritos, como no ano transacto?

Bem, no ano passado todos nos apontavam como claros favoritos. A equipa não aguentou a pressão na última jornada e o Carriço aproveitou muito bem. Mas isso fez-nos crescer a todos e talvez esse seja um dos factores que nos está a levar ao nível que apresentamos neste momento. Este ano é diferente. Estamos claramente a jogar por fora e a pressão está do outro lado. A nossa única pressão é que queremos ganhar o próximo jogo e essa é uma óptima pressão, sobretudo se nos fomos mantendo nos 3 primeiros lugares com possibilidade de subir.

De que forma prepara os seus jogadores a nível psicológico para estas duas competições nacionais tão exigentes?

Já o referi anteriormente. Fazendo-os perceber que temos que ser mais maduros e ir aprendendo com os nosso erros.

 

No actual estado da economia global, com crise em todos os sectores, concorda com remuneração financeira dos atletas que competem em provas amadoras?

Completamente. A grande evolução do futsal em Leiria está a dar-se agora. Essa evolução passa por ter equipas estabilizadas nos nacionais. Quem é que tem incutido nos nossos atletas a “ilusão”, no bom sentido, de que podem representar o distrito ao mais alto nível numa modalidade amadora? Sobretudo o Instituto D. João V e o Amarense. E essas têm investido dentro das suas possibilidades para o fazerem, pelo que devem ter muito orgulho nisso. Quem me conhece sabe que sou extremamente competitivo e eu penso que a União de Leiria pode entrar nesse lote de equipas. No entanto defendo que o investimento nunca pode ser superior às possibilidades de cada colectividade. Temos à frente da secção o Serra que é uma pessoa que nunca se acomoda e está sempre um passo à frente no que respeita a ideias e formas de conseguir apoios financeiros. É por isso, e por ele, que me mantenho à frente deste projecto, pois acredito que conseguiremos atingir os nosso objectivos.

As últimas três épocas foram de sucesso e sempre a subir da respectiva divisão onde competia. Agora que está na 1ª prova nacional pela União Leiria, quais são as diferenças que encontra em relação ao distrital?

Várias. A competitividade de todos os jogos, a intensidade e dinâmica dos mesmos, a qualidade individual dos jogadores adversários, a evolução e explanação táctica das equipas, o tempo útil de jogo que nos obriga, em pequenos pormenores, a controlar o jogo de forma diferente, etc. Neste último aspecto tenho que fazer uma crítica forte à A.F.Leiria. O objectivo de uma divisão máxima a nível distrital (Divisão de Honra) deve ser preparar as suas equipas para competir nos nacionais honrando a associação que representam. Nesse contexto já há muito tempo que o tempo útil de jogo deveria ter sido implementado na divisão de honra da nossa associação. A falta de árbitros não é uma desculpa aceitável pois existem formas de ultrapassar essa situação.

Tendo já o conhecimento dos adversários, acha que tem condições para ser campeão?

Não sei. Como se pode constatar nos vários sites ligados ao futsal, e na nossa própria equipa, tem havido alguma flutuação de jogadores, sobretudo em Dezembro, pelo que quando apanharmos as equipas na segunda volta já muita coisa pode ser diferente.

Houve entradas e saídas de jogadores, o plantel ainda vai ter mais modificações?

Espero que não. Estou contente com os que tenho nesta altura.

Das equipas de Leiria da 3ª divisão, qual a mais forte, sem contar com a sua?

Para mim é o Externato da Benedita. Conheço os jogadores e o treinador há muito tempo e sei do potencial daquela equipa. Começaram mal mas já vêm por aí a cima e não é fácil ganhar-lhes.

Sonha um dia chegar à primeira divisão com a equipa que lidera desde há muito tempo – União Leiria?

Tenho essa esperança. Mas não é fácil, sobretudo enquanto não tivermos infra-estruturas. A falta de um pavilhão onde possamos treinar em horários aceitáveis e onde os escalões de formação possam treinar e jogar é um problema difícil de ultrapassar.

Desejo um ano de 2009 cheio de coisas boas para todos e de muitos êxitos desportivos para as equipas de Leiria.

 

A entrevista foi realizada pelo Infutsal.com com a colaboração de;

Valdemar (Treinador Boavista)

Beto (Treinador São Bento)

Rogério (Treinador Camadas Jovens do Casal Velho)

Cunha (Treinador do Amarense)

Páscoa (Treinador do Casal Pardo)

Kitó (Treinador do Fátima e Seleccionador de Leiria Sub20)

David (Director da Lagoa Parada)

Adão (Director Pocariça)

Tozé (Presidente do Amarense)