Publicamos uma entrevista a Bruno Costa, conhecido por BA no mundo do futsal distrital.
Actual treinador da U.D.L., protagonizou uma das transferências mais polémicas da presente época, saindo da A.D.R. Mata para a União de Leiria já com a época a decorrer.
A primeira pergunta passa inevitavelmente pela tua saída da A.D.R. Mata logo no inicio da época. Qual a razão para esta saída?
A minha saída tem muito haver com situações pessoais, ás quais estariam a ser difíceis de ultrapassar no dia a dia.
Também houve situações e ideias que eu não estaria a conseguir passar para alguns responsáveis da equipa da ADR Mata.
Estavas ligado à A.D.R. Mata há muito tempo, e chefiavas um projecto com grandes ambições futuras. Não achas que a tua saída poderá condicionar o projecto da A.D.R. Mata?
Estava ligado à ADR Mata desde a 1ª distrital e alguns dos directores apaixonados pela sua localidade fizeram-me um convite para chegar o mais longe possível. Eu fiz de tudo para a ADR Mata ser reconhecida a nível distrital e penso que o consegui, em conjunto com os atletas que por lá passaram e os homens fortes que lá continuam. Penso que essa direcção ficou com as bases necessárias e com muitos conhecimentos para levar o seu projecto em frente. A minha saída em nada condicionará o seu futuro.
Há algo que queiras dizer publicamente aos responsáveis e jogadores da A.D.R. Mata?
Claro que sim. Alguns dos jogadores podem ter ficado sentidos com a minha decisão, mas lá no fundo compreendem-na perfeitamente. Aos responsáveis directos pela ascensão dessa instituição quero dizer que com a dedicação que mostram vão certamente chegar mais longe ainda, seja quem for o treinador.
Saiste da Mata directamente para a União de Leiria. Como surgiu esse convite?
O convite surgiu pelo jogador Roger, que faz parte também da organização directiva da U.D. Leiria com um telefonema tentando saber a minha possibilidade de assumir o projecto deixado pelo treinador João Pedro. Eu claramente disse que poderia conversar sem problemas, mas só depois do jogo da Taça de Portugal pela ADR Mata, que por sinal a única derrota deles. Após esse jogo o Carlos Serra ligou-me e conversamos e chegamos a um acordo.
As condições de trabalho que encontraste são as que esperavas?
As condições sim já esperava as dificuldades de uma equipa que não tem pavilhão próprio, mas de resto sim são as que esperava.
E em termos de plantel?
Pois, isso agora é fácil apontar alguns erros à constituição do plantel, posso antes dizer que encontrei uma equipa sem identidade e sem união de grupo.
E o que pensas fazer para mudar isso?
O plantel vai certamente sofrer alterações até ao final do mês de Dezembro. Neste momento a equipa já sabe as minhas ideias e penso que os jogadores já perceberam que tem de existir união de grupo para ganhar um jogo, e digo um jogo, porque não se pode pensar num objectivo longínquo, sem primeiro pensar no próximo objectivo, que é o próximo jogo.
Aquando da tua entrada na U.D.L., foi-te exigido algum objectivo para esta época?
Foi, claro. Ganhar. Eu gosto de ganhar, mas primeiro foi preciso dizer aos jogadores que todos queremos ganhar, mas nem todos o desenvolvem e mostram dentro de campo da melhor maneira. A direcção pediu a subida de divisão como era de esperar.
As coisas não têm corrido muito bem para uma equipa que assume a subida para a 2ª divisão como objectivo principal. Queres explicar a razão para o momento menos bom da U.D.L.?
Não estamos nada bem e isso é bem visível pelos resultados realizados por nós. A mudança de treinador e do tipo de treino atrasou a preparação e não podemos esquecer que os jogos oficiais têm sido os nossos jogos de treino, testando todas as situações novas implementadas por mim. Mas quando superarmos o estado anímico menos bom e assimilarmos a nossa própria identidade iremos ser bem fortes.
Qual os objectivos a longo prazo esperas atingir na U.D.L.?
Primeiro quero mesmo ter um plantel constituído por mim, depois é óbvio que é ser primeiro. Mas se não for possível, tentarei colocar o União de Leiria com um futuro promissor apostando nos jovens que viram ajudar ao fortalecimento do clube em termos de valores.
E os teu objectivos pessoais? Onde esperas chegar no futsal?
No nosso distrito não há possibilidades de chegar muito longe, porque as equipas que estão no topo estão bem orientadas e com estruturas bastante fortes. É obvio que o meu objectivo pessoal é atingir o mais rápido possível a maturidade necessária que um treinador precisa para conjugar a sabedoria com o rigor. Neste momento espero conseguir no tempo que estiver como treinador do Leiria, os objectivos da direcção. Depois chegarão os meus, porque o sucesso do clube é o meu.
Sendo que ainda és jovem, qual a razão para teres deixado de jogar e teres optado por uma carreira de treinador?
Primeiro por razões monetárias, depois porque gosto desta faceta algo dificil. Mas posso adiantar que esta situação de treinador pode estar a acabar e recomeçar uma nova aventura. Sabendo o jogador o que o treinador passa e pensa, como jogadores podemos ser melhores.
Vais voltar a jogar?
Vou. Muito em breve tomarei uma decisão que implicará uma nova aventura.
Queres deixar alguma mensagem aos adeptos da U.D.L. e do futsal em geral?
Aos adeptos em geral quero deixar uma mensagem de gratidão da paixão que têm por esta modalidade e que são responsáveis também pela sua evolução, e aos adeptos que apoiam o União Leiria ficam a saber que vou fazer de tudo para que para o ano estejamos num patamar superior, e tudo pode ser mudar algo na minha filosofia.
| < Anterior | Seguinte > |
|---|