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Entrevista a Pedro Coelho, Treinador da A.R.C.D Mendiga
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Identificação

 

Nome completo: Pedro Alexandre Moreira Coelho
Idade: 39
Naturalidade: Batalha
Clubes Representados: Fut11: União Desportiva Leiria. Vitória Guimarães, U. Recreativa Mirense, S. C. Leiria Marrazes, G. D. Batalha e Alqueidão da Serra Futsal: G.D. Batalha, N.S. Leiria e A.R.C.D. Mendiga

Gostos pessoais

Livro preferido: Quanto a leitura, não sou o melhor exemplo a seguir, pois não tenho por hábito ler, mas reconheço que é muito importante para o dia a dia, pois além de ser um bom relaxante também é uma forma de nos tornarmos mais cultos
Filme preferido: Gosto pessoalmente da série " O senhor dos anéis"
Música: Robbie Williams é o meu preferido, pq qualquer musica dele me faz sentir bem
Prato preferido: Não existe comida melhor q a Portuguesa e por tal, qualquer prato é bem vindo
Bebida: Coca cola ou ice tea bem fresquinho, são as bebidas que normalmente tomo
Carro: Gosto pessoalmente de carros, BMW ou Mercedes, actualmente possuo um Mercedes
Maior defeito: Querer estar sempre bem com tudo e todos, muita vez em meu prejuízo
Maior virtude: Honesto  para com os meus jogadores e directores
Melhor jogador de Futsal: Ricardinho do SLB, é de longe o melhor jogador de futsal
Melhor treinador de Futsal: Quanto a treinador julgo que o Adil Amarante  foi uma mais valia para o nosso futsal

 

Entrevista

Fala-nos um pouco de ti. Como foi o teu percurso desportivo até aos dias de hoje?

O meu percurso no mundo do futebol, começou nas camadas jovens da União de Leiria durante 5 anos, onde fui campeão distrital de juniores, e tendo disputado sempre as fases finais nacionais. Fui chamado a selecção do distrito pelo mister António Violante e penso que fiz parte, de uma das melhores equipas de juniores da U.D.Leiria.

No meu primeiro ano de sénior e colhendo frutos das excelentes épocas como júnior, fui para o Vitória de Guimarães onde integrei a equipa B durante uma época, depois o mister Violante foi treinar o Mirense, na altura na segunda divisão nacional e convidou me a vir para junto dele, ao qual aceitei e estive 2 épocas. Depois passei pelo Marrazes mais 2 anos na terceira divisão nacional. De seguida fui convidado para fazer parte da equipa da minha terra a Batalha, que passado alguns anos voltava a ter futebol de 11 e aceitei o desafio, fui campeão na segunda divisão distrital e campeão na primeira divisão distrital tendo subido a divisão de honra. Estive 4 épocas no G.D.Batalha. Por ultimo representei o Alqueidão da Serra onde estive 3 épocas na divisão de honra. Tendo ganho uma taça do Distrito curiosamente contra o G.D. Batalha.

 Aos 27 anos um pouco saturado das exigências do futebol, mudei para o futsal, onde iniciei a modalidade na Batalha e em que eu fazia de tudo: jogador, treinador, dirigente, massagista, motorista, cozinheiro, etc. Nas 3 épocas no G.D.B. fui campeão na primeira distrital,  fui campeão na divisão de honra,  finalista vencido na taça e vencedor da super taça. Com a subida aos nacionais as despesas eram muitas e os apoios poucos, nessa época nos nacionais ficamos em quinto lugar, mas no ano seguinte decidi acabar, porque não tinha condições para continuar praticamente sozinho a comandar um barco destes. De realçar que jogadores como o guarda redes Xana, o universal BA, o Ala Ruben e o pivot Melo foram criados no G.D. Batalha. Entretanto fui convidado pelo grande amigo Quitó para representar o N.S Leiria ao qual aceitei com muito orgulho e lá estive 3 épocas, 2 delas a colaborar também com a equipa técnica.

Por fim surgiu o convite da Mendiga, para treinador principal e com uma proposta financeira. Depois de analisar  a mesma, acabei por assinar, mas com uma condição, a de querer continuar a ser jogador, ao qual foi aceite e já la vão 5 anos com os resultados que todos conhecem…


Como é o dia-a-dia do clube? As equipas, dirigentes, integração na comunidade local, como é a realidade da A.R.C.D Mendiga?

Como todas as colectividades e a Mendiga não foge a regra, o dia-a-dia é feito na procura de apoios para se poder manter toda aquela estrutura. Os dirigentes tentam sempre estar o mais perto possível de todas as equipas, mesmo sabendo que a equipa sénior "rouba" sempre um pouco mais de tempo. São as receitas do bar, a organização de bailes e outros eventos culturais que vão dando vida aquela associação. Os atletas desde o mais novinho ao mais velho, todos são tratados de igual modo. Existe uma grande união entre todos os escalões. A integração da modalidade no seio da comunidade não podia ter melhor recepção do que aquela que tem, pois é considerada a "Jóia da Coroa".

Existe um relacionamento excelente entre jogadores e habitantes da Mendiga e arredores. Hoje a A.R.C.D.Mendiga tem um património invejável. Pavilhão próprio, construído com muito esforço e dedicação por parte das gentes desta terra, balneários reconstruídos, clínica médica como poucos clubes nos nacionais têm, lavandaria e rouparia, refeitório e respectiva cozinha, salão para bailes e outras festas, salas para encontros, bar, etc. Esta é a verdadeira Mendiga e não aquela que as vezes querem fazer transparecer...



Indica-nos as principais características/competências que achas que um treinador deve possuir.


Um treinador acima de tudo deve ser um bom condutor de homens, porque de um bom homem consegue se fazer  um bom jogador, mas de um bom jogador nem sempre se consegue fazer um bom homem.  

Como são os teus treinos: defines conteúdos tácticos, físicos e técnicos, objectivos, critérios de êxito? Dá-nos uma pequena ideia da forma como trabalhas.

Em relação aos meus métodos, não sou uma pessoa de levar o dossier com tudo organizadinho, pois estamos a falar de um desporto amador, onde cada qual tem a sua vida, vida essa que é bem dura e onde os jogadores chegam condicionados aquelas horas para treinar. Não são remunerados, têm as suas famílias e por vezes derivado às mesmas não podem vir treinar, ou seja preparar um treino para depois ter 6 ou 7 jogadores? À que saber improvisar na hora, apenas exijo que sejam honestos para com todos, que me informem quando não podem ir treinar, que dêem o que têm por aquela instituição e acima de tudo fazer lhes sentir que têm um amigo em mim. Critérios de êxito nascem connosco, onde se entra é para ganhar e à que saber aproveitar a mística que foi criada no seio daquela equipa. O meu primeiro objectivo é sempre atingir a manutenção independentemente da divisão.

A A.R.C.D Mendiga acabou o campeonato em 3º lugar, a 3 pontos de um lugar de acesso à 2ª divisão. Consideras que foi uma boa época ou ficaste desiludido por faltarem apenas 3 pontos?

Depois de tudo o que nos aconteceu ao longo da época, chegar ao final e acabar em terceiro lugar a 3 pontos da subida, para mim é como se  tivesse sido campeão. Sei que existem pessoas que não concordam comigo e eu respeito as suas opiniões, mas relembro aqui um pouco do que se passou e depois digam me se não estou certo. Iniciamos a época com 17 atletas, 1 já depois de assinar e na pré época abandonou, ficaram 16, dos 16 um guarda redes começa a trabalhar por turnos, passamos para 15, depois outro g. redes parte alguns dedos do pé e passamos a ter 14 e só com um guarda redes, grande parte de época tivemos que chamar o g. redes dos juvenis para treinar connosco, ele que ainda era iniciado, entretanto começam as aulas, o André decide ir estudar à noite, deixou de treinar era convocado mesmo sem treinar, o Telmo por motivos de estágio treinava uma vês por semana, em Dezembro o Celso abandona por inadaptação e exigências de um campeonato bem diferente do qual ele não estava habituado, passamos a ter 13, somos abalados com a morte súbita do nosso massagista, o Beto e o Bento abandonou por motivos pessoais, passamos para 11 e não esquecer que o André e o Telmo não treinavam o que representaria apenas 9 jogadores, de seguida por motivos de selecção vimos nos privados do César durante algumas jornadas, Madeixa para um mês por lesão, Janas igual e por ultimo o Bexiga não joga as ultimas 4 ou 5 jornadas. E agora o que me dizem? Foi um milagre? Se calhar foi!

Que perspectivas tens relativamente ao futuro da tua equipa e clube? Quais os objectivos?

Os objectivos são os mesmos de sempre, lutar pela manutenção e incomodar os que apostam nas subidas de divisão. Mas nunca andar constantemente com a pressão da descida. Prefiro estar numa divisão inferior, que andar sobressaltado e criar sobressaltos a jogadores, dirigentes e massa associativa.

Vai haver muitas alterações na estrutura do clube, vai haver alterações no plantel?

Como vem sendo hábito não tenho à data nenhuma aquisição para a próxima época, também não estou preocupado e  aproveito para dizer a muitos dos meninos babados que andam pelo nosso futsal, que na hora de serem contactados por dirigentes ou treinadores, independentemente do clube, sejam homenzinhos em enfrentar  as suas decisões, pois é triste deixarem no ar um perfume de esperança e minutos depois já terem assinado por outros. Voltando atrás, mantendo todos os jogadores com que acabei a época e ao qual praticamente os mesmos já confirmaram que ficariam,   apenas necessito de um guarda-redes e de mais 2 ou 3 miúdos.



Que balanço fazes destas épocas de trabalho no clube, como jogador e treinador?

Nestes 5 anos acho que dei mais como líder do grupo do que como jogador. Eu não tenho curso de treinador e não tenciono tirar o mesmo, porque durante uma época é tanto o dinheiro que se dá ás associações, que pessoalmente acho que o primeiro nível devia de ser oferecido pelas mesmas. Era um retribuir pela falta de árbitros em grande parte dos jogos dos escalões de formação. Por isso me intitule "LÍDER", líder esse que introduziu outra mentalidade e outra forma de estar dentro e fora do campo, acabando também por abrir os olhos a muita gente, gente da casa e de fora, aqueles que pensavam, que por estarmos no fim do mundo da serra, andaríamos sempre ao toque deles. Como jogador fiquei a quem do que podia dar, mas acho perfeitamente compreensível

Os escalões de formação da A.R.C.D Mendiga crescem de ano para ano, consideras importante a aposta nas camadas mais jovens?

É na formação que está o futuro, equipas que não tenham formação nem deviam poder competir, é a minha opinião. Na Mendiga e com a minha chegada houve uma reconversão nas equipas de formação, inclusive, todos os treinadores foram abandonando aos poucos e o mais grave é o facto de serem gente da casa, pois é deles que precisamos, e não entendi o porque? Aos poucos foi se recuperando e hoje  trabalhamos  todos em prol do mesmo, criar jovens jogadores para a equipa  sénior.   Diga se que a equipa de juvenis pode vir a dar bons frutos no futuro.

Achas que as pessoas reconhecem a importância dos escalões de Formação?

Sem duvida que muita gente já abriu os olhos e chegaram à conclusão que é na formação que está o futuro. Pena é, que não olhem a meios  para depois os recrutarem para os seus clubes. Uns formam nos, investem, gastam dinheiro no seu crescimento como homens e atletas, depois surgem os abutres, que a todo o custo oferecendo mundos e fundos lhes dão a volta a cabeça e roubam uma vida de trabalho aos seus formadores.

O que achas do trabalho desenvolvido pela A.F.Leiria nos escalões de formação?

Em relação aos escalões de formação e na perspectiva de uma associação, penso que quanto mais equipas existirem, melhor é para as associações, pois mais dinheiro entra. Penso que a associação está no bom caminho quanto aos escalões de formação, pois actualmente temos todos os escalões de jovens o que durante muito tempo não aconteceu. Mas, acho que devia de haver uma centralização nas formações, ou seja uma ou duas equipas a formarem em cada Concelho, porque uns por vezes não conseguem dar seguimento aos escalões por falta de atletas. Tenho noção que em parte a culpa é das câmaras municipais ou juntas de freguesia que não têm gente a altura para tomar decisões destas. Porquê? É que existem associações e clubes do qual eu tenho conhecimento, inscrevem equipas nas associações de futebol, só para irem buscar apoios ás câmaras e juntas, dinheiro esse que depois é canalizado para os seniores para pagarem ordenados, por vezes nem chegam a proporcionar aos miúdos a pratica da modalidade. Isto é real

O que pensas do novo modelo de arbitragem imposto pela A.F. Leiria?

Em relação a arbitragem apenas o que tenho para dizer, é que temos do melhor comparado com outras associações.   E que no dia em que a associação  obrigar ou exigir  que todos os pavilhões tenham  cronómetro e  que o mesmo seja  funcional em todas as divisões do distrito. Teremos mais qualidade em tudo, árbitros e jogos. É urgente a introdução de jogos cronometrados.

O que achas do infutsal.com?

Ao infutsal resta me dar os parabéns, pelo trabalho desenvolvido em prol do futsal, cientes de que nunca vão agradar a todos, e de que haverá sempre algo mais a fazer. Dentro das minhas possibilidades estarei sempre ao dispor, abraço. Pedro Coelho