p mister dias_2Antes de falarmos da nova época, faça-nos um balanço da época passada. Pensa que foi positiva? Faltou alguma coisa? 

Considero que a época passada foi fantástica. Alcançamos a melhor classificação de sempre no clube ao classificarmo-nos em 4º lugar, só atrás das super equipas profissionais Sporting, Belenenses e Benfica. Alcançámos as meias-finais das 2 provas Nacionais: Taça de Portugal, e Play-of da Liga, tendo sido, em ambos os casos, eliminados pelos 2 vencedores dos referidos troféus, Belenenses e Sporting. Outro aspecto importante foi as presenças assíduas do André Sousa e do Fábio Aguiar na Selecção Nacional AA e a do Miguel Silva mais recentemente, são também o exemplo do bom trabalho desenvolvido, por eles individualmente e pelo clube em termos gerais.

Queria realçar ainda que na temporada passada, 3 dos 5 jogadores “reforços” eram, dois deles juniores no ano anterior (Ciro e Tukinha), um era sénior de 2º ano e actuava na 3ª divisão (Pimpolho). Penso que isto diz bem da nossa aposta arrojada na juventude.

Se disser que nada nos faltou, podia estar a dar sinais de acomodação… se disser que nos faltou chegar às finais dos 2 troféus, estaria a ser pouco realista dada as características da nossa equipa/clube e dos nossos adversários… por isso, prefiro apenas dizer que, apesar da época ter sido excelente, como pessoa ambiciosa que sou e conhecendo profundamente o grupo que lidero, vamos procurar fazer mais e melhor para esta próxima época.

Como sendo treinador do clube que é a referência em Leiria, diga-nos o que podemos esperar deste Instituto 2010/2011.

A aposta por parte da direcção foi muito clara ou seja, manter a estrutura base da equipa. Eu gosto de estabelecer objectivos qualitativos, e são esses objectivos que norteiam todo o nosso trabalho. Jogar um futsal atractivo e espectacular, com velocidade nas acções defensivas e ofensivas, pressionando olhos nos olhos qualquer que seja o adversário, tentando cativar cada vez mais público para os nossos jogos, vão continuar a ser as nossas grandes referências e metas para a época 2010-11. Somos e vamos continuar a ser uma referência no Futsal não só do distrito, mas também a nível nacional, pois somos a par do Sporting, a equipa com mais anos de Futsal na 1ª divisão. Tudo isto, faz de nós essa tal referência, e com ela mais responsabilidade.

Embora não lute com as mesmas armas que Benfica e Sporting, pensa que é possível o título? Quais são os objectivos do clube?

É um facto inegável que não lutamos com as mesmas armas. Todas as equipas, salvo uma ou duas excepções, possuem jogadores profissionais. No caso do Sporting, Benfica; Belenenses e Freixieiro, toda a sua estrutura é profissional, ou seja, todos os seus elementos obtêm os seus rendimentos através do futsal. Depois existem várias equipas como o Fundão, Mogadouro, Boticas, e até os recém promovidos Módicus e Rio Ave, que apesar da estrutura ser amadora, também possuem vários jogadores totalmente profissionais. O Instituto D. João V é uma equipa totalmente amadora. Todos o seus jogadores, treinadores, directores e restante estrutura, possuem a sua actividade laboral, e da qual, obtêm os seus rendimentos para viver.

É ao nível do número total de treinos por época e principalmente na relação treino (carga) – repouso (recuperação), que noto as grandes diferenças. No entanto, e apesar de amadores, sentimos o clube, e empenhamo-nos por ele com grande profissionalismo, encurtando as distancias e por vezes até, superando as equipas profissionais.

Entradas! Saídas! Considera que o plantel está mais forte?

Entradas até ao momento só o Eric (ex Freixieiro). Saídas, só o Eli (Cazaquistão) e o Calixto, que é um jovem com um grande potencial, mas que na minha opinião precisava de jogar com mais regularidade, para poder evoluir. Se o plantel está mais forte? Só no final saberemos. O que sabemos neste momento, é que temos uma equipa ambiciosa e que quer fazer um bom campeonato; que estamos fortes.7695_logo_ins_d_joao_v

Nestas primeiras semanas, os jogadores têm-se mostrado bastante empenhados nos treinos, e com grande vontade de chegar rapidamente o dia 11 de Setembro (1º jogo do campeonato).

Há alguns jogadores de outros clubes a fazer a pré época com o instituto, poderá haver reforços?

Vão 2 treinadores fazer parte integrante do trabalho de campo nesta pré-época: o Veiga (Milagres) e o “Pipa” (Arnal). São dois jovens treinadores, que tive a oportunidade de conhecer e ajudar a formar no Curso de Treinadores de Futsal da A.F.Leiria, e que mostraram grande vontade em colaborar e evoluir na modalidade. Além deles, vão também fazer parte da nossa pré-época 2 jogadores do nosso distrito: o Fábio (Amarense) e o Teco (União Leiria). São também dois jovens com grande margem de evolução, por quem tenho uma especial admiração e conhecimento, uma vez que, foram ambos meus jogadores nas Selecções Distritais de Leiria.

Para jogar ou para vir apenas treinar no Instituto, não basta ser bom jogador técnica e tacticamente... Para encaixar neste grupo, mesmo que seja para fazer apenas alguns treinos, as qualidades da pessoa são muito importantes e tidas em consideração. Desta forma, temos sempre muito critério na selecção daqueles que queremos a trabalhar connosco. E quer o Fábio quer o Teco preenchem esses requisitos. Espero que continuem a evoluir para que num futuro próximo, possam ser apostas do Instituto D. João V.

Quanto às entradas, penso que é legítimo afirmar que já há algum tempo que procurava um Pivot de raiz. Agora tem á disposição Eric, poderá haver alguma mudança no modelo de jogo?

Não vai existir nenhuma alteração no Modelo de Jogo, apenas mais soluções. Na minha concepção de Futsal, existem dois tipos de Pivôs… Pivô de Referencia e Pivô de Movimentação. O Nino, tem feito sempre, e bem, esses dois papéis e a prova disso é a quantidade de golos que ele faz em cada temporada. Tem sido sempre o melhor marcador da equipa e classifica-se sempre nos primeiros 3 lugares dos melhores marcadores (excepto na ultima temporada). No entanto, considero que o Nino é um jogador Pivô mais de Movimentação, que joga por fora, que gosta de jogar de frente para a baliza, que pressiona muito e bem pela sua agressividade defensiva e ofensiva. Ao colocá-lo a fazer várias missões, corria o risco de o desgastar fisicamente, não tirando dele o melhor rendimento nestas características em que ele é mais forte. O Éric vem apenas dar uma outra solução ofensiva, uma vez que é um Pivô de Referência, que joga de costas para a baliza, que assiste mais do que marca e que aparece muito no 2º poste. Com o Éric, podemos até jogar com 2 pivôs, uma vez que o Nino pode perfeitamente jogar por fora.

Nuno, este já é o seu quinto ano como treinador do IDJV, tem-se reforçado quase sempre com jogadores estrangeiros ou com jogadores de outros distritos. Pensa que Leiria ainda não tem jogadores com condições para actuar na divisão máxima do Futsal português?

Eu sei que o tempo passa a correr, e que ainda à bem pouco tempo eu estava dentro do campo a dar o meu contributo enquanto jogador, mas este é já o meu 5º ano como treinador do IDJV, ou seja, desde a época 2006-07.

As diferenças entre o Futsal praticado na 1ª divisão e o Futsal praticado nas divisões secundárias (2ª e 3ª) são abismais. Na minha opinião existem duas grandes diferenças: a intensidade de treino e jogo e a velocidade de execução e tomadas de decisão.

Ser o melhor jogador de uma equipa da 3ª divisão, não implica encaixar e jogar no Instituto D. João V. A base de recrutamento é bastante reduzida, e nem todos os jogadores, que nas suas equipas são as “estrelas da companhia”, têm capacidade de perceber, que teriam de passar por uma fase de aprendizagem e assimilação, jogando menos tempo (por ainda não estarem preparados para tal), tal como aconteceu com o Mourão, Ciro, Tukinha e Pimpolho. Apesar de serem jovens e com grande valor, precisaram de alguns meses com uma integração gradual ao nível do tempo de utilização no jogo, para se tornarem nos jogadores influentes que são hoje. E é com base neste conhecimento que possuo dos jogadores do nosso distrito, juntamente com as suas qualidades humanas, que tiro as minhas conclusões.

Para terminar, e ao contrário daquilo que afirma na sua questão, queria dizer que foram vários os jogadores do nosso distrito de Leiria que estão ou estiveram no Instituto D. João V (seniores): Sílvio, Xana, Fred, BA, Guerra, João Pedro, Rui Pereira, Tiago Moreira, André Picasso, Pinto, Diogo Txetxa, Calixto, Mica, Mourão, Miguel Silva, Pimpolho… E muitos mais foram aqueles que por lá treinaram…

O seu trabalho tem vindo a ganhar cada vez mais seguidores. Sendo uma referência quer a nível distrital quer a nível nacional para muitos treinadores, diga-nos o que falta aos treinadores do nosso distrito para a obtenção do sucesso?

Fico muito contente e até orgulhoso por saber disso.

Existem algumas características que considero importantes para se ser um bom treinador. Algo que aprendi e que tento passar aos outros, nomeadamente nos cursos de treinadores, são as falsas e irracionais crenças de que para se ser bom treinador basta manter a equipa em respeito e disciplinada; que um bom treinador é admirado e adorado por todos os atletas sem ter qualquer conflito. Tudo falso…

Outro aspecto que assumo como primordial é a liderança. Mais do que saber, trata-se de saber transmitir; e perceber que são os jogadores que jogam e não os treinadores… e é para os jogadores que tudo é feito…

Devemos ser coerentes nas nossas acções e sérios no que fazemos e mostrando qualidade no nosso trabalho, uma vez que, ninguém acredita na incompetência.

Outro aspecto importante é a vontade de aprender e evoluir… e só o conseguimos, se formos humildes no sentido de querer ver e ouvir os outros, partilhando as nossas opiniões e ideias. Eu tento constantemente evoluir, e é com regularidade que procuro os melhores… a exemplo disso são várias as estadias (todas feitas à minha conta!) que faço nas pré-temporadas, acompanhando os treinos de equipas da 1ª divisão da Liga Espanhola. Converso bastante com esses treinadores. Depois, sem copiar, tento perceber as diferenças que existem para a minha equipa e para o meu Modelo de Jogo e então faço um transfer daquilo que poderei modelar para a minha equipa. Troco também vários jogos, conhecimentos e ideias com alguns treinadores do nosso campeonato.

Acho que os treinadores do nosso distrito deviam falar abertamente sobre as suas equipas e sobre as ideias que têm. Não estou com isto a dizer que devemos dizer aos outros como é que nós fazemos o canto A ou o fora B… estou apenas a dizer que todos temos ideias do jogo e do treino distintas, e com diálogo e partilha ficamos todos a ganhar.

Por fim, mas não menos importante para a nossa evolução, é a qualidade das pessoas que trabalham directamente e diariamente connosco, nomeadamente os adjuntos, médico e fisioterapeuta e estrutura directiva.

Nos últimos anos, a formação no instituto tem baixado de qualidade. Nesta pré-época conta com um juvenil com bastante qualidade no plantel, a formação vai ser novamente uma aposta do clube para este ano?

 As apostas na formação não são boas ou más consoante os resultados quantitativos dos seus campeonatos distritais... Na minha opinião, elas são boas se o nível de treino permite colocar jogadores da sua formação, no treino da equipa sénior, sem “estragar” o treino. E penso que a esse nível, a nossa formação está a realizar um bom trabalho. São vários os jogadores com potencial para integrar o treino da equipa sénior. Nesta pré época, o Nini, jogador ainda juvenil tem evoluído e bem, dentro do plantel, mas penso que ao longo da época irão ser vários os jogadores que terão essa oportunidade.

Esta entrevista é exclusiva do Infutsal