João Vala tem 22 anos e é natural da Fonte de Oleiro. Há poucos meses teve uma ascensão vertiginosa no mundo do Futsal. O guarda-redes passou da I Divisão de um campeonato distrital para a I Divisão de Futsal, o principal campeonato do país.
João Vala recorda o seu percurso na modalidade e partilha a experiência que têm vivido ao serviço da Associação Desportiva do Fundão.
Como é que começou o teu percurso no Futsal?
João Vala: Comecei a praticar nas camadas jovens da Associação Desportiva Portomosense, por volta dos 10 anos, e aos 16 anos transferir-me para a Fonte do Oleiro, onde joguei cerca de seis anos. Quando fui estudar para a Covilhã comecei a jogar no campeonato universitário. Em 2007/08 fui campeão universitário e vencedor da taça da LUF.
Nesse período jogavas ainda no CCR D. Fuas?
JV: Sim vinha aos sábados jogar. Os convites do Fundão começaram a surgir em 2008, mas nunca quis descurar a família. Quando me senti preparado, resolvi aceitar o convite.
Como tem sido esta experiência da I Divisão de Futsal?
JV: Bastante boa, mas trabalhosa. É um misto de sensações porque, é bom, mas também se sente o cansaço. Treinamos duas horas, diariamente. Com aulas torna-se cansativo, mas é muito bom e tornaria a aceitar.
Quando entraste no Fundão começaste a defrontar equipas e jogadores que acompanhavas pela televisão. Como é que se lida com isso, em termos emocionais?
JV: É um salto grande e é preciso ter os pés assentes na terra e trabalharmos muito. Acima de tudo é necessário pulso nas sensações. Quando chegamos ao pavilhão do Benfica, as sensações brotam da pele. Mas trabalhamos todos dias para isso e estamos preparados.
Esta experiência afasta-te mais de casa e da família?
JV: Essa é a principal "perda". Chego a estar afastado três meses, venho quando posso ao sábado à noite e domingo. Essa foi a razão que me levou a rejeitar os primeiros convites. Era um miúdo apegado à família e não quis estar longe dos meus pais, que me estavam a pagar os estudos. Neste último convite, falei com os meus paus, que sempre me apoiaram, e aceitei. Esta é a minha paixão e vou lutar pelo Futsal.
O que pesa mais na tua vida, actualmente, a licenciatura em Desporto ou o Futsal?
JV: Sempre pus os estudos à frente do Futsal. Agora estou mais reticente. Pesam os dois de forma igual. Se no futuro aparecer alguma coisa que tenha de optar, também dependerá de como estiver no mundo do Futsal. Se calhar vai pesar mais um bocadinho a escolar, porque será isso que nos faz alguém na vida. Apesar da paixão pelo Futsal é como se fosse uma segunda namorada ou uma segunda família.
Jogar na posição de guarda-redes torna-se mais fácil ou difícil, em termos de afirmação na equipa?
JV: Torna-se mais difícil, porque quando um guarda-redes está bem o treinador não aposta em segundo guarda-redes. Fui para o Fundão como quarta opção, agora já sou segunda opção, ou seja, sou convocado para jogos, mas ainda não tive oportunidade de jogar ao mais alto nível. Mas estou a trabalhar e quanto mister precisar de mim, lá estarei.
Com menos oportunidades para jogar é preciso grande equilíbrio emocional para não desmotivar…
JV: Sem dúvida. Quando fiz contrato com o Fundão pedi para jogar no campeonato universitário, às quartas-feiras. Por norma não deixam, mas, sendo caso esporádico, aceitaram. É bom porque dá para ir experimentando adrenalina dos jogos. Os treinos são sempre ao limite, mas a falta de competição também prevalece.
Quem mensagem gostarias de dar aos jovens desportistas portomosenses?
JV: Que acreditem sempre e às famílias que os apoiem sempre, porque é extremamente importante.
Fonte: www.cincup.pt
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